22 de mai de 2009

Mas, oh, não se esqueçam da rosa, da rosa


Às vezes é preciso atingir o fundo do poço para perceber o erro. Quão fundo é o fundo do poço? A que profundidade as pessoas devem descer antes de perceber que é preciso mudar?

Com Saturno em trânsito pelo signo de Virgem, uma das lições em pauta é o serviço prestado. Para que a ajuda que prestamos seja significativa, antes de tudo ela deve ser necessária. Ela deve ser, se não solicitada, pelo menos bem vinda. Ela deve ser eficaz, e não mutilante ou humilhante. Ela deve ser compassiva e não paternalista. Ela deve tocar o coração do outro com cuidado e carinho, não com rispidez ou arrogância. Ela deve colaborar para que o outro perceba sua própria luz, ao invés de se fixar nos seus pés de barro.

Mas como ajudar aquele que não percebeu ainda que necessita de ajuda? À distância. Através do pensamento (orações, mantras, mentalizações, como você quiser chamar). Mas sobretudo, sem tentar interferir no livre arbítrio do outro, mesmo que só em pensamento.

A Terra é um imenso laboratório, onde vivem pessoas com as mais variadas tendências, bagagens, preferências, medos e inseguranças. O nível de consciência varia tremendamente de um indivíduo para outro, mesmo dentro de uma mesma família.

Quando já atingimos um determinado grau de consciência, é natural que surja a impaciência com nosso irmãos de caminhada que são um pouco mais lentos. É por aqui (temos vontade de gritar)! Vamos logo!

É difícil e doloroso vermos o sofrimento daqueles que amamos, quando percebemos que eles mesmos estão causando este sofrimento. Uma das lições mais dolorosas é ser solidário sem ser conivente, ser prestativo sem privar o outro da própria responsabilidade. Acompanhar o sofrimento alheio sem fazer ouvidos moucos, mas sim atentos ao menor sinal de que a hora de ajudar chegou.

O desenvolvimento da verdadeira compaixão leva tempo, ainda mais tempo do que levamos para chegar até aqui. Porque ao atingirmos a real compaixão, percebemos que o crescimento não pode (nem deve) ser apressado.

A criança que, impaciente, desenterra a semente na tentativa de descobrir por que a flor está demorando para surgir, acaba por matar a própria planta que aguardava com tanta ansiedade.


Título: referência à canção Rosa de Hiroshima, de Vinícius de Moraes e Gerson Conrad.
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3 comentários:

Laura disse...

Yep... Realmente, uma difícil lição, aceitar o ritmo do próximo, sem interferir em seu livre-arbítrio, e sem se angustiar com sua tendência à "marcha-ré"...

Mara disse...

Laura, realmente é um exercício muito delicado o de saber estabelecer limites.

Laura disse...

Sim... lembrei também da metáfora da lagarta / borboleta... Esperemos o momento de cada um abrir suas asas...